domingo, 9 de maio de 2010

Desconsolo.

Por vezes tomamos as coisas como garantidas, ou pelo menos julgamos que existe uma garantia perante o que já conhecemos . E depois de um momento para o outro, ainda que por breves minutos vemos que era apenas uma cápsula que nos protegia de uma nuvem que não tardava a assombrar-nos, esta já não fica por breves momentos, escureceu o céu , cobre as estrelas , chora o mundo.
Antes as palavras pediam paciência , calma , tolerância e como quociente obtivéramos sempre o consolo que a alma desejava.
Agora o corpo anseia por palavras que soltem a raiva, mas o mundo está surdo , o nosso grito é mudo no meio de toda uma multidão , nem as lágrimas querem fazer-se ver . O vento continua a esbater contra a cara , mas agora todas as barreiras protectoras sumiram .
Foi um golpe demasiado baixo !

quinta-feira, 6 de maio de 2010

(Im)perfeição

Não, nem sempre fui assim , perfeccionista , a verdade é que se tornou difícil recordar essa inocente infância que deixei , aquela em que pintava os desenhos borrados , escrevia em folhas rasgadas mais que uma vez , sem que isso se torna-se num motivo para lacrimejar sem que sequer eu percebesse bem porque o fazia.
Deixei de fazer tudo por todos, pronuncie aquelas palavras em que não se agradece com um sorriso mas com um brilho no olhar , não lembro os desenhos que vejo com lágrimas , lembro-os apenas com os meus olhos a brilhar quando escrevinhava pelas folhas do caderno branco e que bem que me sentia, quando a paisagem que pintava era aquela que vivia, não desejava nada apenas libertava pequenas gotas de inocência de sonhos em esboços e ainda sem que me apercebesse escrevia palavras mais sábias do que as que escrevo agora, agora que contrariei sentidos para viver sentimentos , aqueles que levaram o que restava da criança que pintava de carvão , e trouxeram uma nova etapa em que se pede não apenas o brilho no olhar, mas também o sorriso , as palavras, em que se pede o mundo e se quer ainda mais do que se pede .
Crescer? Tropeçar , cair ,levantar, tropeçar , cair , levantar, subir devagarinho sabe tão bem , as quedas são pequenas e estáveis , o vento eleva-nos como plumas e mal se sente os pequenos cortezinhos que vão ficando .
O pior é quando se sobe demasiado alto e o vento fica apenas a empurrar a areia contra a face e a deixar que sejamos nós sozinhos a subir !