terça-feira, 30 de junho de 2009

Montanha.

Demorou, subir de tão baixo não foi fácil , mesmo estando empenhada no que queria ,mas depois de tanto esforço conseguí finalmente chegar ao cume .
Agora que aqui estou , lembro-me da força com que o vento me empurrava para baixo , de como tantas vezes fui ao chão , não sei porque não desisti , mas agora estou feliz por conseguir ter terminado a subida .
Mas não me vou esqueçer de todas as pedras que me atingiram a cara.
Não sei o quão difícil será manter-me aqui em cima agora , mas espero que valha a pena, se não valer descerei de cabeça erguida e não volto a tentar subi-la , utilizei forças demasiadas numa só caminhada!
Acredito!

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Recuperação.

Demorou mas agora sinto-me cada vez melhor , aos poucos e poucos abandono o que me "parti-a" , e não percebo porque não o fiz antes , já sofri tempo suficiente , agora vou deixar que o gesso cele tudo, tudo o que quebrei ultimamente , mas não vou deixar que exista espaço para o que me provocou dôr, isso são apenas imagens em mim , memórias e não vou relembra-las , nem quero que o futuro as repita.
Quis demasiado e agora perdi tudo , mas desisto , não vou lutar pelo primeiro prémio, já saí da falência e isso é o suficiente.
Não preciso de luxos.

Elástico.

Por vezes ,
Por vezes esqueço tudo , esqueço que existe um mundo em meu redôr , e deixo-me soltar a tensão que desde à tanto tempo já tenho acumulado.
Nestas alturas sinto-me livre , já nada exerce presão em mim , e eu sorri-o , sorri-o porque já não à nada a puxar-me ou a dobrar-me de forma que eu não queira , não faço nada para isto acontecer , mas acontece e sabe bem .
Estou farto de ser esticado para alcançar algo , não poder relaxar sem pensar que assim não atingirei o pretendido.
Quero ficar assim para sempre, sabe bem .

Mudança.

Sinto que o mundo está a virar-se ao contrário , não estou a conseguir virar com ele , eu quero !
Respiro ofegadamente depois de correr atrás dele , mas não pára!
Pára por favor !
Espera , eu vou contigo , eu mudo , dá-me apenas tempo .
E tu ? Porque olhas ?
O mundo não vai sorrir para ti se não correres para ele , esperas que caí-a do céu aquilo que desejas ?
Faz-te à vida !
Não consigo ter controlo em nada , sempre que o tenho cometo um pequeno deslize , que me leva a uma grande queda, e fico presa durante muito tempo a este buraco .
A corda rompeu-se e agora só resta deixar que o tempo passe e tu me oiças .
Ouves-me ?

Posição.

Cansei-me de tentar ler as tuas entre-linhas , não percebo porque continuo a deixar o cronômetro avançar tanto , já ultrapassas-te todos os limites de jogada válida , estás em último lugar !

Odeio-te.

Estou indefesa e frágil novamente , és tu (agora) quem me dá este peso !
Apenas não consigo sentir ódio , porque ele não existe em mim , mas estou farta , do quão presa estou , quero apagar-te para sempre !
Vou dar-te um ponto final , e aí não existirá um novo parágrafo , é isso que tanto pedes e queres ?
Explica-te , não me invadas de dúvidas e incertezas .
O tempo já escasseou demasiado , as palavras esgotaram com ele , e o deserto que me ocupa avança cada vez mais , não sou nada e (agora) toda a culpa é tua , pára de forneçer energia a uma lampâda fundida.
Chega !

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Partes.

Pés, Pernas , Anca, Barriga, Tronco , Braços , Pescoço, Cabeça .

Não olho para elas ...
Mas quando chega a morte, só elas ficam, só os membros não morrem.
O coração pára , mas isto continua a existir.
Uma estrutura para algo inactivo, algo Morto !

Apagar.

Rasguei a folha ao meio , voltei a rasga-la , e novamente repeti a acção.
Era uma folha escrita , mas não por mim , eu só a risquei .
Um mero papel , cheio de palavras . Mas no final ,de tão enorme texto só largavas profundas incertezas .
Magoa-me que o tenhas escrito , porque não o deixas-te intacto ?
Em branco?
Porque o escreves-te , se agora o risquei e cortei aos mil pedaços, tão pequenos quanto tu ?
Ainda me lembro de me lembro de cada frase, sim ainda guardo na memórias as lembranças que já apagaste de ti.
Mas percebo porque o fizes-te , estava tudo dito nesse papel , o texto foi grande , mas teve um fim.
Tudo de nada.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Parede.

Empurraste-me de tal forma violenta que fui contra ela e voltei vitima ainda do mesmo impulso , esbarrei-me de tal forma que a face ficou negra como o alcatrão e roxa como uma violeta é só mais uma das tuas marcas .
Porque não voltas?
Vem , empurra-me novamente , até eu cair de vez e não me levantar, se vens quando não peço , porque não vens agora que te imploro?
A parede estava branca , mas tu pintas-te a minha cara de cor diferente , por breves segundos , mas mudou de cor , depois alastrou-se por todo o corpo , por fora e por dentro!

Queda.

Recupero todos os sentidos depois de uma grande batida , até já consigo gritar , gritar (para) o nada que me ocupa , nada me ouve tudo me eco-a , oiço a minha voz repetida dentro de mim, não estou oca eu sei que não , ocupam-me pelo menos as palavras que não quero escrever , não irei pronunciar-me sobre esta sensação que desconheço já ter vivido. A pedra estava ali no meu caminho , eu só tropeçei nela e cai , cai porque não me tentei equilibrar , deixei-me desvanescer , para ver se continuavas no mesmo lugar e sim estavas lá e fico feliz por isso , fico porque tu não sabes que lá estás mas tal como lanças-te uma pedra para o meu caminho e me fizeste cair , eu deixarei que agora fiques no mesmo sitio de forma intacta como uma pedra. É tudo o que mereçes , o chão .

Vazio.

Outro dia não , outro dia em que não te consigo esqueçer , em que choro e deixo mais uma vez as minha lágrimas serem a tinta para te lembrar mais uma vez, outro dia não , em que não me esqueço, em que grito, e deixo mais uma vez a minha raiva e dor serem a denúncia deste grande amor .
Não consigo deixar de soprar para o papel na esperança que as minhas lágrimas pintem um nome diferente, só hoje , só quero que hoje, a minha voz grite outro nome, que a minha mão escreva outro mundo e que o teu cheiro deixe de ser o ar que respiro, quero poder ver , quero poder sentir , sem que seja o teu toque que relembro , que desejo.
Roubaste-me todos os meus sentidos , todos te pertencem , e magoa-me que não percebas, que estou sufocada por teres substituído o meu oxigénio pelo teu perfume , e agora desmai-o por não me pertenceres.

Marta Ramos & Mafalda Furtado
19 de Junho de 2009

Libelinha.

Custa-me ver-te a caminhar para esse encurralamento , mas não te vou alertar , porque eu também já lá estive , eu já vi e vivi essa vida que agora vives , mas mesmo assim não te compreendo.
Tens asas , faz como eu e sai daí , não deixes prender-te , vais ficar demasiada agarrada e a quando saires a floresta que até então desprezaste existir , vai ser agressiva na tua recepção.
Gosto tanto de ti , dura mais que um dia, és diferente das outras libelinhas , eu sei , tu consegues voar alto !
Foge .

Poço.

É isso que me fascina , a profundidade e vastidão de coisas que em ti pode existir , desculpa-me mas é mais forte que eu , quero perceber porque que o teu mundo é oculto , porque não me dás o direito e deixas que a luz da minha lanterna te ilumine por completo?
Porque ?
Não percebes mas e é por isso que continu-o a procurar-te !
No fundo sou egoísta , só me interesso pelo meu desejo de conheçimento, a culpa não é de ninguém , apenas da minha curiosidade por algo aprofundado , já que no mundo grita a escassez de interesse .
Mas por vezes tornas-te tão seco , tão pobre que me dá vontade de nunca mais lançar o balde e procurar nada em ti !
A esperança não morre , eu sei que encontrarei ,como sempre, o conforto para a minha sede .

Protecção.

Ás vezes olho e vejo a tua sobra , a tua imagem reflectida como um manto preto no chão , assusto-me e nunca chego a ficar conformada por não existires mesmo e não estáres ali ao meu lado , por a porta se abrir sozinha em vez de ser a tua mão a empurra-la, por o vento continua a
provocar-me arrepios frios e não estar ali nada a proteger-me (dele) .
Mas depois fecho os olhos por um segundo e sinto aquele toque , viro-me e abraço o que de melhor existe em mim !
Obrigada.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Confusão.

É estranho , a tua (in) certeza , o teu (não) à vontade , os teus (in) seguros abraços .
Desculpa , o arrepio não corre a espinha !

Película.

Foste embora mas por mais estranho que pareça não sinto a tua falta , apenas a tua importância continua a fazer-me pensar em ti .
Apenas e tão só isso , não é o facto de não estares a meu lado , mas sim um dia já teres estado , e é disso que me lembro , é nisso que penso , quando estivemos ambos , no mesmo sítio à mesma hora , só !
Não há nada mais para recordar , todos os episodios em que fazias parte do elenco , começavam sempre de igual forma, aquela em que eu sorrio , e terminavam tambem igual com a minha mágoa .
O meio era o único que não tinha uma maneira igual para acontecer , e é disso que (nao) me quero lembrar, era nessa parte do filme em que a ilusão se tornava a minha vida.
Chega de memórias , o sol há-de queimar de vez o rolo da película , e aí (re)acabará para sempre .

terça-feira, 23 de junho de 2009

Risco.

A rua não voltará a ecoar o teu nome , estás baixo demais , cresce !
Mudei de disco.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Tesouro.

Continuo ,
Continuo nesta busca , por algo que não sei ao certo do que se trata , o que é , ninguem me responde , onde está , o mapa desconheçe o paradeiro , como é , o meu tacto não sabe !
Vasculho entre as caixas , lembranças antigas , coisas que até desconheçia existirem , encontro tudo , tudo aquilo que não necessito, aquilo que os meus olhos precisam de ver , o ofacto quer encontrar , as mãos querem sentir , não está no meio de toda esta "tralha".
Às vezes sonho com o X , que marca a presença do meu tesouro ali , mas que lugar será ?
A memória não me deixa recordar, apaga cada pista sempre que acordo.
Mas não desistirei , por (...) a minha busca é interminável !

Acréscimo.

Como se visse tudo recuar , sinto que um amanhã pode deixar de existir , posso deixar de sonhar , é tudo muito incerto e inseguro , quando plane-ei deixei todas estas hipotesses de fora , e agora vejo-me frente a frente com esta termenda angústia de não saber ao certo o que esperar, afinal o que estará para vir ?
Não compreendo , e não quero tentar perceber , a ignorância é mais reconfortante , mas e se um dia isto significar o fechar das portas para um futuro mais longo ?
Temo a vida.

Ar.

Se te respirasse a ti apenas morreria !
Não te culpo por isso, porque a culpa é minha de tantas vezes que corto a respiração para não te respirar, de tantas vezes que fecho a janela para não te sentir, de quando me atrevessas e fingo que não me tocaste, não o faço maior parte das vezes com intenção.
Tal como não te crucifico por cada vez que ignoras o facto de eu precisar de ti para viver , peço que (me) compreendas cada vez que não oiço o teu sussurrar, não me deixes asfixiar !

Buraco.

Não vou cair mais em ti, vou saltar-te mais uma vez , todas as vezes em que tornares a apareçer diante de mim.
És demasiado fundo para te tapar, mas o meu passo é longo o suficiente para te conseguir ultrapassar .
Trepei demasiado da ultima vez em que tropeçei e sem querer fiquei dentro de ti , mas não vou repetir , o meu rumo mudou , e tu estás cada vez mais pequeno .
Para que mentir , os meus olhos continuam a ver-te do mesmo tamanho , tão grande como não és !

Tela.

Hoje percebi que te conheço melhor do que pensava, não és o que idealizei de principio , mas sei como és , essa tua aparência branca e quase sem brilho não me deslumbra , contudo gosto da forma como vejo a tua cor mudar , sei exactamente qual a tinta que te marca sem borrar , o pincel que deixa um relevo.
Pintar-te sempre igual não tem graça e por isso , por vezes surgem figuras deformantes .
Voltei a pintar-te de branco , ficaram demasiados erros .
Por enquanto faço apenas um novo esboço em carvão , um dia pintarte-ei definitivamente !

domingo, 21 de junho de 2009

Passadeira.

Às vezes não gosto de atravessar a estrada , tenho medo de te perder entre os dois lados da rua , hoje foi um desses dias , em que me custou largar a segura calçada e colocar o pé no instavél alcatrão , por cada passo que avanço sinto mais o frio do vento que me atravessa o corpo .
Estou do lado oposto , e tu já não estás aqui junto a mim , não te vou reclamar , foste tu quem me fez mudar de via , é a tua presença porque aclamo todos os dias . É a ti , quem vejo do outro lado da estrada e por quem espero , o sinal já mudou imensas vezes sozinho e eu já o auxiliei vezes demasiadas , porque não te decides ?

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Receio.

Não passarás de uma ilusão,
Ò tu que me efeitiças e me prendes,
Não julgues que me tendes,
Chega de golpes em meu coração!

Demasiadas marcas que deixaste,
E que custam a sarar,
Eu sei que hás-de parar,
Não te chega as folhas que já rasgaste ?

Chega de papel desperdiçado,
Não permito mais gastos,
Agoram ficam só as fotos,
E tudo o resto fica no passado !

Máscara.

Às vezes ponho-a , é feita de um metal forte impenetrável , mas esqueço-me de que só cobre a cara , que todo o resto do corpo fica vulnerável , vulnerável à poeira do ar , a sujidade que penetra o meio , à poluição que ocupa o espaço.
A mascara protege a face , mas o resto do corpo continua a asfixiar-se , não estou cega mas não vejo o mundo , não estou muda , mas fiquei surda !
A irritabilidade é pouca , já nem as pernas pareçem querer reagir aos constantes atentados das pedras a perfurar-me a pele !
Tiro a mascara ou oculto o mundo ?

terça-feira, 16 de junho de 2009

Imaginação.

Um caminho cheio de partidas às quais não conseguímos fugir , fartamo-nos de tropeçar e por cada passo em frente dado , recuamos sempre meio procurando um refúgio para a mágoa que sentimos , somos livres para sonhar e acreditar que existe ,para além do campo minado onde sofremos inúmeros atentados , um oásis cheio de esperança onde a liberdade é abundante , a vida é eterna e não existem fendas !
Medo de procurar essa felicidade também é constante , medimos cada risco de uma nova recaida esqueçendo a hipótese desta não aconteçer , arriscar é uma palavra que não consta no dicionário , falta a esperança e a força para lutar contra os obstáculos , faltam as fabúlas que se ouve quando é pequeno para poder imaginar que existem finais felizes , falta uma mão para ajudar a sair do chão , falta o arco-íris no céu.
Falta Ar .


"Long time ago..."

Desejo.

Quero ,
quero não ter de recolher mais cacos do chão para formar algo sólido , começo a ter demasiados cortes das vezes em que me feri ao tentar junta-los !
A cola tornar-se escassa e cada vez mais rija , os pedaços já custam a unir-se , as feridas em mim ardem , o corpo está frágil e já rejeita a acção .
As peças nem sempre encaixam e eu volto a procurar mais bocados no mesmo chão , uma nova peça está pronta , o vento soprou.
Partiu-se , iniciou-se um novo ciclo.

Raiva.

Estratos de pedaços de vazio , mergulhados em mar de inexistência, perdidos em passados ilusórios , iluminados pelo escuro , regados com a sede , alimentados pela fome, oxigenados pela morte.
Mundo confuso e esmagador, ideias sub-entendidas de nada , doçura de sal , brisa que penetra no espaço pela janela fechada!
Calor quente do sol censurado e apagado!

Hoje a única vontade , é ofereçer tudo o que existe de pior , a força para lutar contra o negativo esquivou-se , as fotos perderam a côr , é tudo preto no preto !
Hoje consigo detestar !

domingo, 14 de junho de 2009

Calor.

Parece que me assombra este bafo quente, o sono é levado para longe, e lua torna-se no sol que ilumina a noite, sinto as gotas de suor que não vejo percorrer-me , o corpo arde , o ar deixa-me ainda mais vulnerável a tudo o que me rodeia e estou ainda mais desperta e necessitada da estabilidade que agora fugi-o de mim .
Revolta-me não ter o poder de me fazer adormecer .
A mão escreve o que lhe mando mas já não tenho a liberdade, a força de mandar em mim, perdi o controlo nas minhas próprias palavras, conjugo verbos sem saber o sujeito, escrevo fins desconhecendo princípios!
Mas é bom, poder ter a insignificância de um grão de areia numa duna, e a importância de uma gota de água num deserto!Fujo de tudo, o tempo continua a correr, mas não quero saber, não consigo parar é tudo desejável de mais!
Enquanto ando o passo queria uma velocidade de movimento em que encontro a brisa que esperava de forma ofegante.
Tudo em excesso se foi, extracto de nada, sou novamente eu!

12\06\09

terça-feira, 2 de junho de 2009

Pouco.

O tempo é tão escaso , cada vez eu tenho mais consciencia disso , a cada segundo , respiro mais rápido , cada passo é maior e mais precepitado , e cada vez mais não olho para trás nesta busca pelo "não desperdício" , estou a correr , tão ou mais rápido que o tempo . Estou a tropeçar nos obstáculos do caminho .
Já não vejo o sol nascer , na esperança que se não perceber que nasceu um novo dia , eu esteja sempre iluminada pelas estrelas !