segunda-feira, 27 de julho de 2009

Renascer.

As cinzas juntaram-se , e de entre todo o pó , vi erguer-se o corpo que já tão bem conheçido me é !
Ergueu-se da mesma forma , a forma como se formou , de tão perfeita rapidez .
Quando acho que o vento te soprá para longe , o caminho dele vira e vens (de novo) de encontro a mim , um empurrão , um leve tocar , duas vezes , e tudo recu-a , ou fica onde sempre esteve de forma diferente e ao mesmo tempo tão igual.
Os traços cruzam-ze , a linhas tornam-se direitas mas tão incertas , com breves pausas , mas carregadas ao fim de tais intervalos .
É tudo o mesmo de tudo !
O mesmo vulto .

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Pausa.

Depois de um longo percurso fiz uma breve pausa para respirar , o folgo já era raro e demorou a recuperar.
Deixei que o coração abrandasse e voltei a correr contra o vento , contra o tempo , ignorando o facto que todo o meu corpo fraquejava e tudo o que queria era não olhar para trás, eu sei , sei que não preciso de olhar para trás para saber que ainda lá estás ,que voltaria apenas a olhar para a tua rectaguarda , e que a escoridão voltaria a assombrar-me por breves momentos e a luz haveria de chegar .
E eu olho para trás , olho porque sou fraca demais , esta força é superior a mim, e o parágrafos não se fazem , apenas pontos finais , de eternas linhas de nada , farta e cansa esta visão , não existe vislumbre , o que existe ?
A mão só toca o vazio e é só mais uma linha .

terça-feira, 21 de julho de 2009

Dupla.

Quando acho que é só uma face que existe , a moeda vira e torno a desiludir-me com a ilusao que tinha de ser apenas uma .
Vira e eu peço-lhe que vire outra vez mas não, não recebe esse embale para me mostrar o lado que desejo .
E eu não me contento com isso, e tento unificar a moeda , gasto toda a energia que tenho , mas no fim nada vale a pena , porque já valeu e não valerá mais .
Só resta esperar .
Só resta afastar-me do vento para que não sopre o pouco que existe (de ti) para longe (de mim).

terça-feira, 14 de julho de 2009

Crepúsculo.

Após o crepúsculo lembro-te com maior facilidade , não sei se é ele que me inspira a tal , aquela luz que páira no céu ao se iniciar o anoitecer, e é nesta altura do dia em que a força para controlar aquela vontade cresce , se assim não fosse como seria ?
Mas canso-me que roubes o meu olhar , e isso não te cheguei , que roubes todos os meus sentidos , e que depois disso continues sem perceber , mas já não olho tantas vezes ao céu , fecho as portadas na esperança que como a luz tu também não consigas chegar a mim.
Não venhas hoje , por favor .
Vou só tornar a fazer um ponto final , esperar que desta vez a folha se vire finalmente e as minhas palavras parem de oscilar fazendo uma pausa na página anterior...

Cem.

100

Cem vezes que (vos) lembro , quantas mais se seguirão ?

domingo, 12 de julho de 2009

Verniz (vermelho) .

Cheiro forte e futigante .
Mas de tão agradável fragrância e de tão bela cor , torna-las fortes e (toda) eu fortaleço também.
Chamas a atenção , e os olhares direccionam-se para ti, não consigo olhar-te nelas muito tempo sem que a tendência de me embelezar se apodere de mim, a ridicularidade atinge-me , mas não vem sozinha , eu digo : " Olá" e sorri-o , sorri-o como se tudo estivesse ao meu alcance .
No fim não consigo perceber bem o que se passa, umas vezes lascado , outras em perfeitas condições , não sei se devo preservar-te , ou deixar-te ir ao poucos , vou pensar!

sábado, 11 de julho de 2009

Ti.

"Um, dois , três vou nascer outra vez . É só contar até três " .
Para ti que te interrogas e tentas perceber quem será este (tu) , de que tanto falo , sobre o qual tanto escrevo , não percas tempo , não saberás sem que eu te diga , e tantas vezes também gostava de saber !
Neste ciclo sem paragens , percorro demasiados caminhos diferentes para te indicar uma estrada por onde me possas seguir , apenas deixo os trilhos para se exister uma pequena vontade da tua parte.
Mas não (me) leias onde não encontras água para a tua sede de sabedoria.
O meu mundo é demasiado oculto , para permitir-te acender uma luz e encontrar respostas !

Sucesso.

À medida que vejo suceder-se a cada dia , mais cresce o meu receio de o ver desfalescer , receio que ditados como "quanto mais se sobe maior é a queda" se tornem mais uma vez numa verdade.
Sinto-me tão bem ao ver tudo crescer de forma tão (demasiadamente) saudável , mas pergunto-me , não estarei a iludir-me ?
Estou a dar passos tão curtos e seguros , quanto os meus pés me premitem , e por isso não tenho medo de me arrepender de tropeçar .
Sabe(s) demasiado bem !

Prioridade.

Foste-o durante tanto tempo , que agora já perdeste esse posto , a tua importância mantem-se mas agora terás de lutar para a ter , sei que é fácil para ti o conseguir , e para mim (tornar a) dar-te , mas desta vez a minha postura não será tão subsceptivel , e não me "entregarei" tão facilmente.
Dou-te a segunda oportunidade , quando já me des-te tantas e eu as neguei , desculpa !
Só revendo vejo que fui eu que não deixei que quebrasses todo o gelo , que nada se torna-se numa rotina ou algo mais forte , agora ilucido-me de todas as chances que tive para (te) ter .
Vamos à luta ?

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Choque.

Petrifiquei , não quis acreditar , como é possível ?
Não sei o que dizer , fazer, porque tu ?
Não dá para acreditar , recei-o tanto ver-te de um momento para o outro caminhar para longe , e morro de medo que me leves contigo nesse caminho .
És estúpido , odeio-te e adoro-te tanto , só tenho lágrimas para isto , recei-o que a força se esgote , foi tudo demasiado estranho , demasiado rápido , nunca pensei ter algo assim tão perto e ter de lidar com tudo isso , vai ser complicado .
Não tenho palavras, estou em estado de choque , nunca temi tanto algo !
Diz-me que tudo é mentira , que não passou de um pesadelo , diz-me por favor !
Nem esqueçer posso .

Fotografia.

Gosto de olhar para ti , e acho engraçado o meu arrependimento em todas as vezes que deixo que os meus olhos cruzem com os teus , e sejas o alvo para a camâra.
Mesmo com todo o esforço para que a imagem fico focada, existe sempre algo que a faz termer mas quando a revelo está perfeita e tu estás sempre lá , lá para seres o centro das atenções , e inferiorizar toda qualquer outra que esteja colada no albúm.
Já não existem mais molduras onde te colocar , ocupas-te todas e mais algumas que estivessem ao meu alcançe , e quantas mais ocupo (contigo) , maior é o número que tenho de baixar cada vez que me transtornas !
A lente está a sujar-se e o pano demasiado gasto .

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Suspiro.

Algo que ocorre de forma tão rápida e breve como um arripiar, o corpo solta por momentos o sentimento que o assombra num leve pronuncio que esgueira do interior.
Este ar contorverso com o respirar , cheio de palpitações e num ritmo intenso e incronometrável .
De longe, temo ouvir algo que so-e de forma igual ou parecida , que este seja de encantamento e não de preocupação, que me faça perder-me pelo caminho para encontrar o dono .
Correria se soubesse ser eu a causa de tal acontecimento , parava apenas em frente , mas desta vez cara-a-cara , não de costas como em outras vezes que já marca(mos) no livro.

Insegurança.

Acho que é isso que te afasta de mim , que de certa forma te afugenta , mas não consigo perceber muito o porquê ...
Pergunto-me, qual o verdadeiro motivo para te manteres a uma distância razoável , não sei o que tentas compreender , mas muito provavelmente não é o que devias perceber na realidade , assusta-me o que possas intrepertar , mas neste momento não me preocupa .
De certa forma , já não me intressa o que achas ou te passa pela cabeça.
Fartei-me de ver o barco a balançar .

Balão.

Vejo tudo isto como se fosse um balão , um balão que não se fura , apenas recebe ar , umas vezes és tu que o enches , devagar e estranhamente , outras sou eu, dessas vezes nada se altera, é como se o meu ar nao fosse forte o suficiente para penetrar dentro dele .
O vento sopra , mas o tamanho mantém-se ou diminuí , o tempo leva ar , e tu já não me deixas forças suficiente para o suster e prender dentro do balão, já gasto demasiadas a evitar que o fures.
Espero a todo o momento , que não te consiga agarrar e voes para sempre .
Ou ates o cordel e não corra mais esse risco !

terça-feira, 7 de julho de 2009

Barreira.

Nada fluí , como se juntassemos ambos os tijolos e contruissemos outro obstáculo a separar-nos , desta vez uma parede , não procuro a porta e a janela , porque não deixas-te que existissem , tapas-te sempre os buracos , mas eu abri sempre fendas que me deixassem a oportunidade para ver esse lado que tanto queres tapar !
Diria-te que gostei, de apenas um , mostraste-me dois lados , mas um não me fascinou , e antes que te perguntes sim podia viver com ambos , mas agora também constróis sozinho um foço , para que "tocar-te" se torne mesmo impossível !
Larga a dupla personalidade , "unifiza-te".
Não sei onde queres chegar com tudo isto, talvez mais uma vez a lado nenhum .

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Compreensão.

Não é nada disso , não percebes porque nunca percebes-te e não queres nem irás perceber algum dia.
Todas as oportunidades para deixar que me conhecesses esgotaram , gastas-te não uma por uma , mas de muitas em muitas , eliminaste tudo o que existia de agradável, agora espero que gostes de ouvir o meu silêncio soar , é tudo o que tenho para te oferecer .
Espero que nunca sintas arrependimento , porque ai não terei pena de ti , e apesar de tudo , não te desejo mal !
Tenho pena mas também me fazes sofrer , mais do que mereço.

05\7\09

domingo, 5 de julho de 2009

Vingança.

De um minuto em que tudo corria bem , roubas-te um segundo . o segundo suficiente para que todos os minutos seguintes se estragassem, detesto-te , um não chegava , escusadas eram as falinhas mansas de quem quer adoçar a fera , não te vou agradeçer nunca por isto , custa-me que o tenhas feito .
Agora estou vingativa , não sentia esta sede à bastante tempo , agora farei tudo o que for preciso para a matar .
Esta prova foi longe de mais , não há consequências a medir , quem me provocou foste tu !
Agora limita-te a observar o produto da tua "brincadeira" .

(Re)corte.

Estou a cortar os pés nos cacos do copo que deixas-te quebrar à minha frente , logo agora que todas as feridas já formaram uma crosta , abriste novamente brechas (em mim) , estragaste tudo , as crostas podem nunca desaparecer totalmente agora que a força faz sarar novas feridas !
Revolta-me a forma como ajes , vou lembrar esta acção , e não vou deixar morrer esta memória . Deste-me a força que precisava para a indignação , agora desaparece , arrastarei tudo o que me aparecer à frente para esta manifestação de grito mudo .
Estragaste tudo , obrigada agora conheço a fúria !
Indignação é pouco.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Entrada.

De um caminho onde só via saídas, vi surgir uma entrada, entrei em pequenos passos , a porta atrás de mim fechou-se , e estava tudo escuro , segui apenas a tua voz , esse som melodioso , que me chama por encantamento, proveniente da magia que trazes em ti , pode ser imaginária , mas eu sinto-a e vejo-a em ti !
Tens poder e sabes disso, olho-te nos olhos e se não desviar o olhar sei que ficarei presa demasiado à tua imagem , por isso desvi-o vezes e vezes sem conta , sem que percebas que te tento ignorar na esperança que (não) repares em mim.
Mas é tudo demasiado (menos ) bom , quando a porta se abre já não quero sair , a vontade é de permanecer para sempre, não deixas e sou obrigada a sair à força .
Então se não me queres por perto, não imitas esses sons que me atraêm.
A culpa é tua e pára de nega-lo !