quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Lágrima.

Os olhos abandonam as gotas de água, que desprotegidas (es)correm o rosto.
Cambaleando sobre a pele como se não exisisse um fim, como que se afinal nunca chegasse a ser despertada a cair.
Como se mantivesse sempre pelo olho e não fosse libertando consigo pequenas das pequenas gotas de água doce anteriores , e estas não se apoderassem do rosto.
A autorização para a vermelhão em que a cara fica não existe !
Mas isso também não altera o facto de ela assim estar !
A visão está desfocada e não existe nada que a possa deixar melhor.
Não há volta a dar, a única esperança está na escassez.

Pendulo.

O fio carrega o pendulo , de peso suave , pedra preciosa , desconheçida e encantadora , que efeitiça qualqer olhar !
Brilha , com a "luz"o seu material cintila.
É tudo uma miragem.
A pedra é falsa.

Tinta.

Apesar do bico estar seco , a caneta continua a marcar o papel , e assim ficarã para sempre marcado , não existe tinta mas a candeta não deixa de existir a exercer presão sobre o papel , amaxuca-o mas pouco !
Mas pouco é alguma coisa, pouco provoca mudanças , pouco torna o papel antes virgem em usado.
Uma gota de tinta integra sempre no papel.
A fibra está consumida, existem partículas desintegradas...

Moeda.

Começo a pensar que todo o mundo tem duas faces , tal como uma moeda , vira-se e existe sempre outro lado mais pobre que se desconheçe até que a moeda gira , dê uma volta de 180º e revele o que existe do outro lado o que a completa e por sua vez também a ocupa.
A verdade é que já não se pode esperar de nada , nada , o mundo está sempre em mutação e nós giramos e mudamos com ele.
As voltas são intermináveis até que o balanço se perca de vez , o impulso seja nulo .
E não exista outra volta a dar !

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Extracto.

Devagar, tanto quanto possível !
Tentarei voltar ao ponto em que não passaria de um extracto na minha memória , um pedaço tão pequeno quanto à força que existe para o reduzir !
Não espero que se apaguer , só peço que não torne a crescer .
Não existe plenitude...

É só.

Em tempos jurei não existir um corrector. a tinta ser permanente...
Mas é apenas mais um produto barato , é só isso um , mais um produto que quando investigado profundamente se descobre que as aparências iludem.
É só isso uma embalagem com um conteúdo vazio.
Não passou de uma falácia !

Encalço.

A rede está a prender-me os pés (novamente) , estou presa ao chão sem me conseguir mexer (novamente) , tudo o que parecia perto agora está longe (novamente).
Começar a cansar o pé que está sempre atrás , estou farta de estar parada , de fazer tudo e não fazer NADA !

Inércia.

Não é ciúme é saudade , é esta a sensação de inércia que me ocupa e persegue , vejo-te a correr mas não te consigo apanhar.
Longe vão os tempos em que eras tu a vir agarrar-me para que não fosse eu a fugir , para que me mantivesse perto de ti !
Mas o tempo passa e um dia tornou-se tarde de mais.
A corrida acabou.
Hoje é tarde demais !

22/09/09

Impulso.

Pequena descarga eléctrica que invade a minha cabeça, não és suficiente forte para reflectir sob meu corpo a tua força , eu sou mais forte e é isso que esperas e não queres que seja !
Não o faço para te contrariar apenas por que sinto necessidade esse é o refleco do teu impulso em mim.
É esse o único produto desta equação.
Não existem mais hipotesses , o resultado é inalterável .

22/09/09
Biology class

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Book.

Voltaste-te a abrir , para que ?
Dúvido que desejes uma nova leitura , o final é sempre o mesmo já sei , já li e re-li várias vezes as últimas paginas , as primeiras ficam na memórias mas cada vez que as tento relembrar , voltas a fazer com que salte até às últimas .
Não vou ler outra vez , hoje foi a última.

História.

Prefiro escrever uma história , uma história de onde ninguém veja surgir nada semelhante à minha imagem , talvez um livro , em que nenhuma página precise de estar em branco , onde não exista rabiscos .
Apenas linhas certas , com as palavras certas , sem pensamentos incertos onde eu não me possa perder .
Chega de vislumbres , de melodias sem final , pára tudo .
Só a chuva tem direito a falar , não quero ouvir mais nada .
Gosto do chão alagado , existe muita gente a precisar de escorregar , para voltar a erguer-se mas desta vez para um sítio onde não existam poças para tropeçar.

Regresso.

Nasceu o dia , os olhos teimaram em não abrir , e eu mantive-os fechados por breves instantes . O desejo era de um bom (novo) ínicio .
Não esperei nada , deixei que tudo anda-se , sem surpresas ou sobresaltos .
Algo está próximo de mais , outrém afasta-se e outrém aproxima-se , não se quebra a establidade porque não existe atenção , não há desenrolar, está tudo bem assim .
Movimento inesperado, a establidade quebra , mas a força contraditória torna tudo igual , e tudo volta ao (anterior ) normal .
Detesto surpresas .

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Rotina.

Foge , vai , vai , estou a implorar-te , deixa-me , não quero que me persigas novamente .
Sinto-me tão bem sem ti , sem precisar de te ter , a liberdade sabe tão bem , o pensamento está tão livre , está tudo tão imperfeitamente perfeito .
Só sopras para longe , o que quero por perto , e para perto o que desejo ver longe , a minha opinião não vai mudar , afasta-te !
Só farei o uso necessário , tudo o resto sou eu que decido .
A confusão apodera-se quando te aproximas , não chegarás muito perto desta vez , houve muita coisa a empurrar-te e agora estás a uma distância razoável .

Branco.

"Um papel em branco , tanto para dizer (...) ! "

Só mais um dia , hoje foi um dia como os outros , foi só mais um dia em que acordei e não pensei em nada , deixei que tudo surgisse ao seu ritmo e que o dia desabrocha-se , tentei só não cair enquanto sai-a do aconchegamento que me abraçou tantas (poucas) horas , desejei " Abraça-me outra vez!" , mas tão rápido me lembrei porque sentia o frio agora e preferia ficar assim , só e tão simplesmente, sem frio e sem o calor de um abraço .
No fundo , tudo se baseia numa busca pela establidade .

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Basta.

Aquela sensação incontrolável que existia em mim pareçe desapareçer aos poucos , já não sinto a imensa necessidade de te ter por perto , já tudo são memórias e já nada será como foi .
É uma lembraça possitiva , não foi uma queda , não foi um tropeçar , foi apenas um mais um degraú que subi sem varão , sem segurança, mas os pés agora sabem ficar acentes no chão e não se levantar por mais que tudo empurre em sentido contrário.
Começa tudo a fazer sentido , está tudo estável novamente , não existe nada a confudir-me os sentidos , pode estar apenas " a jogar" às escondidas , mas para mim isso basta.
O passado basta !
Não vou querer lembrar que existe sempre o amanhã !