sexta-feira, 2 de abril de 2010

Abc.

Já não é um simples ABC , em que os sons se pronunciam rapidamente e de forma clara com que me habituaste, já não lês no teu modo nostálgico as letras.
A procura pelas palavras complexas , compõem a inexactidão do que tentamos construir sem bases, sem segurança, sem até pensar em reflectir sobre um futuro.
Tento e espero conseguir fazer-te compreender que não procuro a rotina, gosto de correr riscos, do teu lado o mundo pode girar ao contrário que eu verei a estabilidade a deslizar mesmo por baixo dos nossos pés. Pergunto-me se realmente lá estará? Se alguma vez lá esteve? Se não faz apenas parte de mais um daqueles sonhos, aqueles que vivo acordada e me adormecem às vezes num pesadelo. Esse eu vejo-o real, está tantas vezes ao meu alcance, como eu ao dele.
As feridas abrem-se, profundas e impossíveis de fechar na totalidade , e ai se fazem reflectir as nossas inexactidões e ai te questiono se vale a pena procurar por um profundidade desconhecida?
Se vale a pena colocar em causa tudo o que construímos por uma busca sem fim?
A insuficiência deste novo ser , já não dá validade a nada.
A verdade desvaneceu, como o vento faz desvanecer as folhas nas árvores . Mas estas são fortes...
E nós somos?

Por entre o cimento branco, 22/3/010

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